O Dia do diálogo inter-religioso e da tolerância

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

 

No dia 21 de janeiro celebramos o dia Mundial da Religião, momento oportuno para edificar e reconstruir o apreço, estima e diálogo amoroso e respeitoso entre as diversas tradições religiosas. Quando hostilizamos e discriminamos alguém, em razão do seu culto e crença, toda a humanidade é atingida e fica insegura e temerosa, pois a liberdade religiosa está intrinsecamente ligada à liberdade de consciência, de pensamento e de expressão, sem as quais a dignidade humana é aviltada e ofendida.

É preocupante, mesmo em nosso país, que sempre foi hospitaleiro e cordial, o aumento de depredação de templos (na maioria de religiões afro-brasileiras ou católicas), escárnio de valores e símbolos religiosos, ridicularização e discurso de ódio, cerceando o pensamento e o ensino de Igrejas e tradições. Ao mesmo tempo se detectam práticas fundamentalistas e sectárias que tratam de impor comportamentos a pessoas alheias a sua identidade, desrespeitando a laicidade do Estado.

A Religião, como seu nome indica, religar, está para unir as pessoas com Deus e entre si, por laços de amor, empatia e gentileza, gerando a fraternidade universal, onde todos constituímos uma família de irmãos (ãs) reconhecendo a pluralidade de cosmovisões religiosas, a liberdade para professá-las e testemunhá-las, e sempre aceitando as pessoas como filhos e imagens vivas de Deus.

Usar da Religião como artifício de poder ou de ganância financeira, a esvazia e a corrompe, a tornando uma caricatura torpe e degenerada. O proselitismo selvagem, a concorrência marqueteira e a disputa do espaço religioso, como se fosse um mercado de crenças a serem adquiridas, são formas escusas que levam ao desvirtuamento e ao relativismo.

Esse dia nos lembra que a Religião constitui a alma de uma cultura, o núcleo do éthos de um povo, um horizonte de esperança para os seus seguidores e uma fonte de solidariedade e cooperação para a vida social. Valorizemos e sejamos hospitaleiros e bondosos com os fiéis e seguidores de outras tradições religiosas, pois seu caminho espiritual poderá sempre nos fazer crescer e tornar-nos mais compassivos. Deus seja louvado!

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