A civilização do amor, expressão do bem aventurado papa Paulo VI

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

 

A idéia é bíblica, como nos afirma São João: “Deus é amor” (1 Jo 4,16); “porque Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16); “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1); “nós amamos, porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4,19). Tendo presente a fundamentação bíblica, inaugurou o Bem aventurado Paulo VI uma expressão muito importante, a civilização do amor. No dia 17 de maio de 1970, na festa de Pentecostes, disse que a Igreja nascia com a Festa da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos nos quais receberam a vivificação do Espírito de Deus e o seu corpo místico que é a Igreja. O pensamento volta-se ao fenômeno histórico, social e misterioso que é a Igreja de Cristo Jesus. Ele dizia também que aquela festa interessava a todas as pessoas porque Pentecostes é a superação das divisões, dos conflitos entre as pessoas e povos porque o Espírito Santo une as pessoas na sua diversidade em Cristo, com o Pai. Ele reforça o milagre da diversidade das línguas pelo Espírito Santo, compreensíveis a todos. Desse modo o Bem aventurado Papa Paulo VI falou da civilização do amor: Pentecostes inaugurou a civilização do amor e da paz. A civilização possui um significado de um progresso de estado de vida para outro, mais evoluído, de respeito, de dedicação, de doação e de amor. Todas as instituições deveriam evoluir para algo melhor, surgindo novos pensamentos, novas culturas em vista de uma convivência fraterna, de amor. Por isso houve esta expressão inaugurada pelo bem-aventurado Papa Paulo VI da civilização do amor, desejando que todas as pessoas superem as divisões, os conflitos de guerra, de convivência humana para uma civilização do amor. Pentecostes trouxe uma civilização do amor, porque todos se entenderam pelo fenômeno da diversidade das línguas, e todos compreenderam a mensagem evangélica do amor de Deus em Jesus Cristo e na sua Igreja. Naquela ocasião houve a constituição da única família dos filhos e das filhas de Deus, livres e irmãos e irmãs entre si e com todos. É preciso construir esta civilização do amor que o bem-aventurado Paulo VI tanto desejou para o povo de Deus de seu tempo e a todos nós.

 Em 1975, ao terminar o ano santo, o bem aventurado Paulo VI falou novamente na expressão Civilização do amor. Assim expressava-se: “não o ódio, nem a disputa, não a avareza será a sua dialética, mas o amor, o amor gerador de amor, o amor do homem pelo homem, não por algum provisório e equivoco interesse, ou por alguma amarga e mal tolerada condescendência, mas por amor a Ti, a Ti ó Cristo percebido no sofrimento e no necessitado de todo o semelhante. A civilização do amor proverá em todas as lutas sociais e dará ao mundo a sonhada transfiguração da humanidade finalmente cristã. Assim se conclui ó Senhor este ano santo, assim ó homens irmãos, repreenda corajoso e alegre o nosso caminho no tempo para o encontro final, que até agora coloca sobre nossos lábios a extrema invocação: Vem, ó Senhor Jesus” (Ap 22,20). Vemos como o Bem aventurado Papa Paulo VI deu ênfase à expressão Civilização do amor, no sentido de algo evolutivo, que ainda que a humanidade passe por lutas sociais, a civilização do amor reinará com o tempo, e com o amor, a humanidade se transfigurará em Cristo Jesus.

Na continuidade do pensamento do Bem aventurado Papa Paulo VI, outros Papas também falaram da civilização do amor como São João Paulo II. “O cristão sabe que o amor é o motivo pelo qual Deus entra em relação com o homem; e é o amor também que Ele espera do homem como resposta. Por isso, o amor é a forma mais alta e mais nobre de relação dos seres humanos inclusive entre si. Conseqüentemente o amor deverá animar todos os sectores da vida humana, estendendo-se também à ordem internacional. Só uma humanidade onde reine a civilização do amor poderá gozar duma paz autêntica e duradoura (Mensagem de João Paulo II para a celebração do Dia Mundial da Paz – 2004).

Bento XVI também falou da civilização do amor, no dia 22 de agosto de 2010, por ocasião da festa de Nossa Senhora Rainha: “Como figura desta nova civilização, no dia em que a liturgia recorda Nossa Senhora Rainha, o Pontífice a apresentou como exemplo, permitindo compreender como os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. Confiemos à sua intercessão a oração cotidiana pela paz, especialmente onde a lógica da violência está mais desenfreada, para que todas as pessoas se convençam de que, neste mundo, temos de nos ajudar, uns aos outros, como irmãos, a construir a civilização do amor”.

O Papa Francisco também ressaltou no final da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, de 2013 a civilização do amor. Dirigindo-se aos jovens disse: façam florescer a civilização do amor. Ele reforçava a necessidade de buscar com a vida a realização de grandes ideais; valorizar a dignidade de cada ser humano e apostar em Cristo e no seu evangelho. Dessa forma aludia a importância dos jovens, e também outras pessoas a florescer a civilização do amor. Em 2015 o Papa Francisco ao dirigir-se à Pastoral da Juventude realizada em Manaus, afirmava aos jovens que é preciso construir novas relações na base da regra de ouro: tudo o que queres para ti, faze-o aos outros, a reconhecer que só a civilização do amor manifesta numa convivência humana dada no amor a Deus, ao próximo como a si mesmo.

Deste modo a expressão Civilização do amor, que tem a fundamentação bíblica, sobretudo em Jesus Cristo, e que o Bem aventurado Paulo VI expressou-a tão bem nos ajude a construir no mundo de hoje e onde vivemos a civilização do amor, pela vida familiar, comunitária e social, pelo engajamento de todas as pessoas na vida da Igreja e no mundo, através das pastorais, movimentos, serviços, ceb’s, e todas as pessoas de boa vontade para que o amor de Deus reine em nossos corações e em todas as pessoas, construindo a civilização do amor.

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